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Águeda Amaral compartilha seu processo criativo na terceira temporada da websérie

Updated: Aug 7

A entrevista de hoje é com uma pessoa essencial para todo o projeto, que realizou seu trabalho com muita criatividade, dedicação e, principalmente, amor. Águeda Amaral conta um pouco sobre as técnicas utilizadas durante as gravações, objetivos atingidos, inspirações e sua percepção sobre o resultado final.


Para assistir ao vídeo que gravamos com Águeda Amaral para a segunda temporada da websérie Profissões da Economia Criativa, clique aqui.


A seguir, confira como foi a produção dos vídeos da terceira temporada da websérie.


A gravação das entrevistas terminou pouco tempo antes da quarentena começar. Provavelmente, não daria tempo de finalizar essa etapa do projeto se você não desse a ideia de gravar tudo em duas semanas. Como foi lidar com toda a agilidade da rotina de gravação?

Em todo projeto de gravação, eu sempre procuro pensar em como fazer para que a direção do projeto possa ter menos stress e o trabalho possa ter melhores resultados, otimizando o trabalho com qualidade. Gravar tudo em duas semanas é cansativo, mas gera bons resultados. A equipe se une com a constância de dias seguidos trabalhando juntos. A gente passa a ser uma equipe mais coesa e a comunicação fica mais fluida. Nos últimos dias, o cansaço começa a aparecer, mas a satisfação dos resultados supera o cansaço. Quando se faz a fotografia de um projeto, a responsabilidade é muito alta. O coração fica sempre batendo acelerado com a adrenalina do trabalho e a quantidade de gravações. Nesse projeto específico, a direção foi feita com muita eficiência e isso ajudou a equipe a produzir. A quantidade de trabalho tem que ser superada com planejamento perfeito e pré-produção eficiente. A pré-produção para a gravação foi feita pela produtora e conseguimos testar uma semana antes, em um dia de testes. Isso ajuda bastante.

Durante a gravação, você levou um técnico de som. Por que é importante ter um profissional específico para isso?


Eu venho do cinema, em que a qualidade da imagem é tão importante quanto a qualidade do som. Trabalhei muito em documentários e um dos meus aprendizados foi: "Não adianta uma fotografia bem feita se você não escutar o que o entrevistado está falando." Em produções pequenas, muitas vezes o câmera faz também o som, mas eu ainda prefiro ter o profissional do som comigo para que eu possa ter tranquilidade para trabalhar. Se a gente tenta fazer tudo, a chance de ter problemas é alto. Eu também trabalho no sistema de gravação de guerrilha, fazendo câmera e som direto. Mas normalmente eu faço isso quando é um projeto pessoal, totalmente sem apoio. Fazer tudo é muito cansativo e diminui o meu poder criativo. No som direto, tivemos o trabalho do Gabriel Pestana. Isso me deixou mais livre e mais tranquila.

Alguns takes do vídeo são diferentes e interessantes, mostrando detalhes das expressões corporais dos entrevistados, por exemplo. Por que é importante ter uma variedade de imagens?

A variedade de imagens ajuda o diretor e o editor a contar a história, a ter a essência da entrevista. Os takes em close aproximam o entrevistado do espectador. Eu gosto de trazer a respiração da pessoa que está falando. Isso dá uma agradável sensação de proximidade. Nesses takes, a gente consegue um piscar de olhos que diz muita coisa, um olhar colorido que indica algo, mãos se movimentando que denotam. Estar próximo ajuda a naturalidade, a gente ainda consegue capturar a beleza emocional de cada pessoa. A variedade de imagens também mostra uma estrutura menos engessada e mais poética para que o editor possa trabalhar. Eu, particularmente, gosto de ter algumas imagens com "sujeiras", uma pessoa que passa no momento errado, um desfoque, um objeto que indique uma característica do programa ou da pessoa.

Qual a sensação do espectador quando tem acesso a esses takes de detalhes?

Eu acho que o espectador se sente mais próximo de quem está sendo entrevistado e passa a ter uma ligação, seja por identificação ou não. A gente consegue se aproximar do entrevistado ou personagem. Nesse momento, a gente encontra conexões. A gente consegue desenvolver esse vínculo quando passa mais tempo com espectador, como no caso das telenovelas e das séries. A gente acaba se sentindo um velho amigo daquele personagem. Nas entrevistas, não temos todo esse tempo para criar essa conexão, assim, chegar perto do entrevistado ajuda muito a criar esse vínculo. Tem também os takes do cenário que indicam muito para quem esse programa foi criado. Eu adoro os detalhes do ambiente, também.

Por que três câmeras durante as gravações?

Apesar de ser a única cinegrafista deste projeto, eu senti necessidade de ter mais que uma imagem. Senti necessidade de dar para a diretora a possibilidade de criar com o editor e trazer novas possibilidades. Uma das câmera era a câmera principal, outra era a câmera livre para chegar perto do entrevistado e capturar detalhes e emoções e a terceira ficou para termos imagens de making of.

Quais os maiores aprendizados durante o processo de filmagem? Tanto técnicos, quanto os aprendizados com nossos entrevistados.

A cada processo a gente aprende alguma coisa nova na parte técnica e no entendimento de cada processo criativo e da necessidade do diretor. O importante desse projeto foi que a diretora e a equipe funcionou de uma maneira muito especial. A diretora nos deu liberdade para sugerir e tranquilidade para trabalhar. O ambiente era muito acolhedor e eficiente. Isso ajuda demais. Tecnicamente, existe sempre um desafio a ser superado. A gente conseguiu superar os desafios, pois estávamos juntos.

Cada entrevistado trouxe sua visão criativa do mundo empreendedor. Foi muito interessante ver os desafios que cada um deles teve e como cada um conseguiu superá-los, transformando em resultado positivo. Eu gosto de profissionais que reforçam em nós a coragem de empreender e lutar.

Qual entrevista mais te marcou e ensinou?

Difícil escolher somente um deles. Cada entrevistado mostrou que, além do trabalho criativo, é necessária a força e a coragem do empreendedor. Os desafios do empreendedorismo são enormes. Uma frase que me fez pensar foi do Josoé Polia que falou da alegria de fazer um trabalho criativo e a tristeza que se sente quando a gente não se pode trabalhar com o que se ama. A Fernanda Custódio também me deixou feliz! Uma empreendedora trans. Imagina o tanto de desafios ela teve e ainda tem que superar? Guerreira. Jessica Pereira, Carlos Cândido, Fernanda Carvalho, Ruth Lopes, Naná Feller, Mauro Calixto, Cecília Arbolave, Vanessa Soares, Samira Almeida, Cristiano Braga, cada um deles reforçou em mim a certeza de que o trabalho criativo é feito por apaixonados que empreendem com profissionalismo e coragem. A gente consegue transformar a nossa paixão em um empreendimento economicamente viável.


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