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"É um trabalho de artesão", afirma Igor Preciso, sobre como é editar uma websérie

Updated: Jul 21

Essa semana, vamos postar entrevistas com parte da equipe criativa da terceira temporada da websérie "Profissões da Economia Criativa".


Começaremos com uma figurinha que vocês já conhecem: Igor Preciso, videomaker que atuou como editor dessa temporada. Pra ver o vídeo que gravamos com ele para a primeira temporada, clique aqui.


Confira, abaixo, a entrevista sobre o processo de criação da edição da terceira temporada da websérie!



Sabemos que o processo de edição de um vídeo é complexo, pois envolve desde ter ideias criativas até a execução. Quanto tempo você demora, mais ou menos, para fazer tudo isso?

O tempo que um vídeo demora para ser editado é bastante relativo, com muitas variáveis. No caso de uma websérie com entrevistas, como foi o caso da Profissões da Economia Criativa, a primeira coisa que eu busco é ter o entendimento conceitual do trabalho, quais as principais questões que as entrevistas irão tentar responder e o público a quem irá se dirigir. Isso vai servir para eu começar a pensar nos seguintes pontos: quão aprofundada (e logo quão longa) a entrevista deverá ser; qual o ritmo que eu devo colocar na montagem (serão cortes mais rápidos para tirar os respiros e pausas ou algo mais “contemplativo”, em que o espectador poderá sentir e absorver mais o conteúdo e emoções?), como eu posso entregar um vídeo mais dinâmico e com mensagens mais claras utilizando recursos da edição (como imagens de cobertura ou letterings com textos explicativos) e o quanto que eu devo colocar uma “mão mais pesada” de edição (devo seguir um caminho mais naturalista e deixar a entrevista rolar da forma que foi gravada ou manipulo na montagem a forma em que o conteúdo é apresentado?).


No fundo, o que leva mais tempo em um projeto com vários episódios é justamente o primeiro. Tendo definidas estas primeiras questões na minha cabeça, aí sim eu parto para os softwares de edição para uma primeira análise do material gravado. É um trabalho de artesão, tem que começar sentindo o material bruto, entender aonde o entrevistador quer chegar e a minha função, como editor, é deixar a mensagem o mais claro possível. Para se ter ideia, o primeiro episódio da Websérie que foi editado, devo ter levado por volta de 15 a 20 horas entre receber o material bruto e entregar a primeira versão.



Quais os critérios utilizados por você na hora de selecionar as principais partes da entrevista?

Procuro entender qual é o ponto principal da entrevista e, tendo o público que vai assistir em mente, o que é mais importante para deixar na tela. Muitas vezes, o entrevistador não consegue a resposta que quer logo na primeira pergunta - ou o entrevistado faz algum comentário no final da entrevista que faz sentido para uma pergunta do começo. Então, o meu processo de montagem começa assistindo a todo o material, analisando os trechos em que os conteúdos são análogos e dividindo em grandes blocos de informações. Ter esta visão geral do material facilita a segunda etapa da montagem que é o “como" a narrativa vai ser apresentada, definindo uma linguagem fluida ao longo do vídeo e, sempre que possível, um tema puxando o seguinte de uma forma natural. Tudo o que não for relevante para a narrativa ou redundante, eu deixo de fora. Ser editor é saber o que NÃO colocar em um vídeo também.



Quais elementos visuais não podem faltar em vídeos que abordam a criatividade, como o da nossa websérie?

Acho que aqui vale lembrar que o conteúdo é o rei. Se o entrevistador não conseguir extrair informações que sejam relevantes, não existe montagem que vai deixar o material final interessante. No caso da websérie, eu acho que todas as etapas foram muito bem executadas por pessoas muito competentes nas suas áreas específicas. Pense que absolutamente tudo o que aparece na tela conta uma história. Então, a direção de arte executou um cenário em que mesclou elementos relacionados à criatividade (cores, objetos, camadas, texturas e profundidade), mas com um toque orgânico das plantas, o que deu um elemento de vida no todo. A fotografia usou do recurso inteligente de ter uma segunda câmera para captar expressões e detalhes, o que dá mais dinamismo ao vídeo. As entrevistas foram conduzidas de forma natural, explorando temas além do roteiro preestabelecido quando havia espaço para tal. E, na minha parte da edição, entendi qual era o conceito que foi desenvolvido a partir do logo e da identidade visual e procurei transformar isso nas vinhetas, nos letterings e na interpretação de cores do vídeo. O resultado desejado é alcançado por conta de todo o planejamento prévio destas etapas.



Quais programas de edição você indica para quem está começando a produzir vídeos?

A lógica e as ferramentas básicas dos programas são praticamente idênticas nos softwares de edição. Eu sempre indico usar o programa que você tem! Independente se é o editor de vídeos do celular ou o programa básico que já vem com o computador. O programa não deve ser um impeditivo para a produção de um trabalho, então apenas faça!


Obviamente que programas profissionais disponibilizam mais recursos. Eu trabalho com o pacote da Adobe, uso o Adobe Premiere Pro para edição e montagem.



Que cuidados um videomaker deve ter durante a produção do material?

O principal cuidado que um videomaker deve ter é ter um bom planejamento do trabalho. Ter uma ideia clara do que busca, da mensagem que quer passar com o trabalho em todos os níveis da produção. Equipamento, locação, programa pra edição… Tudo isso é secundário e vai sendo aperfeiçoado ao longo do tempo. Repito: com uma boa ideia na cabeça e um celular com uma câmera, é possível fazer coisas incríveis.


Curtiu a entrevista? Siga o Igor no Insta! @igorpreciso

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