Search
  • Criativos

Festivais de cinema na pandemia

Todos sabem que a cultura, de forma geral, foi uma das áreas mais afetadas pelo coronavírus. Nesse contexto, teatros, museus e cinema precisaram se reinventar. Tivemos diversos espetáculos e exposições online que, apesar de todas as limitações, surpreenderam muito e ofereceram ótimas opções de entretenimento para os quarenteners. Mas, e os festivais de cinema na pandemia? Qual a solução encontrada no Brasil?


Festival de Gramado

Os festivais mais importantes contaram com edições online, como o Festival de Gramado, tendo recebido virtualmente as equipes que disputaram os famosos Kikitos, prêmio máximo concedido no evento. Marla Martins e Renata Boldrini conduziram a cerimônia, transmitida dia 26 de setembro pelo Canal Brasil. Foi a primeira edição multiplataforma do Festival e exigiu uma série de adaptações e desafios. De acordo com Rubens Bandeira, diretor artístico do evento, além de pensar no palco do cinema, foi necessário dirigir os programas, pensados para exibição na televisão e nas redes sociais.


A versão online do festival permitiu uma equipe bem menor. Cerca de 200 pessoas estavam envolvidas com a realização do evento. Em 2019, em quase 350 profissionais atuantes. Também por precaução, as apresentações artísticas da noite foram gravadas nos dias que antecederam a realização do Festival. Segundo Bandeira, o maior desafio foi levar para o público a emoção atrás das câmeras, por meio de iluminação, trilhas e clipes.


Cine Ceará

Outros festivais, como o Cine Ceará, aderiram ao regime híbrido. O primeiro será realizado entre os dias 5 e 11 de dezembro, em parceria com a Companhia de Água e Esgoto do Ceará - Cagece. As inscrições para a "Mostra Hábitos", 100% voltada à realização de filmes feitos por celular e aparelhos móveis, acontecem entre os dias 9 e 22 de novembro. O tema deste ano é a relação dos indivíduos com a água, que diz muito sobre a cultura de cada povo. Você pode se inscrever gratuitamente aqui, assim como conferir a ficha e o regulamento.


Além da Hábitos, o Cine Ceará também conta com a "Mostra Competitiva Ibero-Americana de longa-Metragem", "Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem" e "Mostra Olhar do Ceará". Os momentos presenciais do Cine Ceará acontecerão no Cineteatro São Luiz e na Praça do Ferreira, ambos localizados no centro de Fortaleza, seguindo sempre as orientações das autoridades sanitárias. A programação também será transmitida pelo Canal Brasil, por meio da plataforma Canal Brasil Play, que disponibilizará por um dia inteiro os filmes das mostras Ibero-americana de Longa e Brasileira de Curta-metragem.


Mostra Internacional de Cinema em SP

A Mostra Internacional de Cinema em SP, por sua vez, foi desenvolvida pela plataforma Festival Scope/Shift72, conhecida pelos festivais de Toronto, Tribeca e pelo mercado de Cannes. Todos os filmes desta edição puderam ser acessados pelo site da Mostra, que direcionou os usuários para as plataformas exibidoras.

Área externa do Auditório Ibirapuera - Sessão ao ar livre do filme "Ladrões de Cinema", de Fernando Campos / Imagem: Mario Miranda Filho/Agência Foto


Além da "Mostra Play", que cobrou R$6,00 por visualização, ocorreram exibições na "Spcine Play" e no "Sesc Digital". Devido às diferentes formas de exibição e ao valor reduzido dos ingressos, este ano a Mostra não ofereceu pacotes e contou com número limitado de visualizações por filmes. As sessões presenciais ocorreram no Belas Artes Drive-in e no CineSesc Drive-in, localizada na unidade Sesc Parque D. Pedro II.


Aumento do público

Por conta do formato online, muitos festivais internacionais atingiram mais espectadores que em anos anteriores. O francês "Festival Internacional do Filme de Animação de Annecy", acostumado a receber milhares de pessoas anualmente na pequena cidade localizada no Alpes, é um exemplo dessa adaptação de sucesso. Segundo o jornal Estado de Minas, em junho deste ano, o evento optou por manter sua programação de filmes, debates e cerimônias de premiação.


A verdade é que o ambiente virtual permitiu que pessoas de todas as partes do mundo contemplassem os eventos. O gigante da animação, por exemplo, contou com grande interesse do público asiático e, provavelmente, alcançou sua maior audiência em 2020.


No Brasil, a sétima edição do BIFF (Brasília International Film Festival) também é um caso de sucesso. O festival estava marcado para abril, um mês após o início da quarentena no país, fazendo o evento apostar no formato online para que não houvesse prejuízo às estreias aguardadas. Em cinco dias no ar, o BIFF registrou mais de 50 mil acessos na plataforma Looke, responsável pela exibição, enquanto a edição presencial de 2018 recebeu 8 mil pessoas em dez dias de evento.


Anna Karina, diretora do festival brasiliense, em entrevista ao Estado de Minas, explicou que eventos online são uma tendência pós-pandemia, mas, na sua opinião, "festivais são encontros, feitos da festa do encontro, com debates, pessoas de diferentes lugares". O intuito é servir como vitrine nacional e internacional, assim como "mergulhar numa programação que não é feita só de filmes". Mesmo assim, de acordo com ela, é provável que haja uma versão online nas futuras edições do evento.


Ainda sobre a importância da realização presencial, Anna questiona o que será feito para fomentar o turismo, caso haja só festivais online no futuro: "Há toda uma cadeia profissional envolvida em um festival. O online comporta todo mundo?", reflete. Além disso, segundo ela, não há a mesma resposta do público. Mesmo com votação e comentários, para o realizador, sem tela grande e sala de cinema não é a mesma coisa. "Se tudo for online, deixa de ser 'Tiradentes', 'Brasília', 'Gramado'. Não podemos deixar de existir como festivais”.


Festival Varilux de Cinema Francês 2020

Não temos certeza do futuro, mas sabemos que a internet foi e ainda é crucial para a continuidade dos festivais que tanto amamos, até chegar a vacina. A dica é aproveitar ao máximo os eventos, como o Festival Internacional de Mulheres no Cinema" (clique aqui para saber mais). Para quem se sentir seguro e quiser comparecer em eventos presenciais, indicamos o "Festival Varilux de Cinema Francês 2020", repleto de produções incríveis em salas de cinema de diversas cidades até o dia 2 de dezembro.

Uma dessas produções é o documentário "O Capital do Século", uma adaptação do best-seller homônimo do economista Thomas Piketty, que vendeu mais de três milhões de cópias em todo mundo. Com mil páginas, a obra foi publicada em 2013 e transformou o autor francês no mais respeitado crítico do sistema capitalista, levando-o a tornar-se referência em diversos debates políticos. Justin Pemberton e Thomas Piketty reúnem imagens de filmes de ficção, de arquivo e de entrevistas em diversos países, levando o telespectador a uma reflexão necessária e incômoda sobre o crescimento das desigualdades no mundo.


Também merece destaque "Mais que Especiais", de Eric Toledano e Olivier Nakache, diretores de "Intocáveis" (2011). O filme conta a história de Bruno e Malik, que há 20 anos vivem num mundo à parte, habitado pelas crianças e adolescentes autistas. Trabalhando cada um em uma instituição diferente, eles se dedicam à formação de jovens vindos de bairros problemáticos para tentar lidar com esses casos considerados “supercomplexos”.


Segundo Nakache, o objetivo é "colocar uma mensagem no bolso dos espectadores", além de divertir, emocionar e transmitir verdade. Quando questionado sobre a relação entre Mais que Especiais e Intocáveis, Nakache explica que os filmes estão intimamente ligados, pois, "em contato com eles, ficamos mais sensíveis em relação a essas questões".

Toledano e Nakache com o ator Vincent Cassel


Mantendo sempre os pés no chão e buscando fazer tudo da forma mais sincera possível, o diretor afirma que, para o próximo festival Varilux, está pensando na crise, nas dívidas do mundo com a pandemia, com o intuito de "falar sobre isso, sempre com humor, pras pessoas rirem", finaliza.


Cultura Presencial

Com quase dois meses de retomada das atividades culturais em São Paulo, ocorrida em 9 de outubro, pouco mais de 100 mil visitantes compareceram às instituições geridas pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, 39,5% em relação ao mesmo período em 2019. Alguns museus já estão com ingressos esgotados até 31 de dezembro, como a Pinacoteca, que, desde a reabertura, recebeu cerca de 44 mil pessoas para a exposição “OSGEMEOS: Segredos”.

Exposição "Pelé 80 – O Rei do Futebol" no Museu do Futebol / Imagem: Museu do Futebol


Também merecem destaque a exposição “Pelé 80 – O Rei do Futebol”, no Museu do Futebol; o MIS (Museu da Imagem e do Som), com a exposição “John Lennon em Nova York por Bob Gruen”; além do Memorial da Resistência, que, desde o dia 15 de outubro, recebeu mais de 2500 visitantes, e o Museu da Casa Brasileira, com uma média de quase 5 mil pessoas neste primeiro mês.


Lembrando que tudo é feito com bastante cuidado para unir diversão e segurança. Para cumprir as normas sanitárias, as instituições estão operando com no máximo 60% da sua capacidade de público e horários reduzidos. Para saber mais sobre as normas de segurança, acesse nosso post sobre a reabertura dos eventos culturais em São Paulo. Dentro ou fora de casa, não deixe de aproveitar todas essas incríveis opções de cultura e entretenimento!

8 views0 comments
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now