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Quer ser produtora cultural? Prepare-se para um dia de 48 horas!

Essa entrevista que fizemos com a Vanessa Soares tem 17 minutos e 11 segundos (um pouco menos, se contarmos os créditos e tal). E adivinha qual a duração do material bruto (a entrevista sem cortes)? 1 hora! Ser produtora cultural rende histórias incríveis e não quisemos perder nada. E a entrevista só acabou porque pensamos na dificuldade que o editor teria pra fazer esse material chegar a cerca de 15 minutos de vídeo.


Masss se você quiser se aprofundar no dia a dia de uma produtora cultural, é só ouvir o podcast de 13 de maio, com a entrevista completa, no Spotify, Deezer, Google Podcasts, RadioPublic, Breaker e Anchor.


Como sempre, criamos um glossário com os termos e personalidades citados na entrevista. E esse material da Vanessa rendeu descobertas muito ricas! Dá uma olhadinha em tudo depois do vídeo:


Hip hop

Lá pra trás, na década de 70, as comunidades negras e imigrantes (latinos e jamaicanos) de Nova York, criaram um novo gênero como alternativa pro Disco. Assim nascia o Hip hop, tendo em seus elementos o grafite, o DJ, o rap e o breakdance.


O gênero foi crescendo, passando dos porões úmidos de clubes comunitários para as baladas, movimentando jovens de todos os cantos de NY, que queriam ver de perto o que era o hype daquela cena que todos os jovens da cidade falavam. Hoje, é o gênero que mais cresce (e fatura) no mundo todo, tendo artistas de hip hop dominando a grande maioria das paradas de sucesso.


ProAC

É um programa de incentivo voltado à cultura. O Programa de Ação Cultural visa fomentar à criação e produção cultural no estado de São Paulo. O Programa tem duas vertentes: a isenção fiscal e o edital. A isenção fiscal é sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), ou seja, a empresa que escolher patrocinar um projeto pode abater o valor “investido” do que pagaria de ICMS para o governo. Já o Edital, é a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (leia mais aqui no post do Christiano Braga) que escolhe e investe nos projetos.


Grafiteira

É a artista de grafite ou grafito ou ou graffiti, você escolhe. Original do hip hop novaiorquino, o grafite é uma manifestação artística, em que o artista transforma a cidade em obras de arte, pintando (no caso, grafitando) prédios e paredes, usando essa arte também como ferramenta de crítica social.

Quer saber mais? Assista à entrevista com SUBTU, grafiteiro paulistano, aqui.


DJ

É o dono da pixxxta. Responsável pelo som de festas, o DJ não só toca as músicas, mas tem a importante função de “ler” o que está acontecendo. Se o som está funcionando, se as pessoas estão gostando ou se precisa dar uma alterada no que está sendo tocado. Atualmente, muita gente confunde o DJ com o produtor musical, que é o criador de músicas; enquanto o DJ é o performer, que vai tocar o som e dar a sua cara para os sons.


Tem uma entrevista bem legal, com o DJ Erick Jay. Assista aqui.

MC

É o anfitrião da festa. O mestre de cerimônias começou, olha só, como coadjuvante do DJ nas festas de hip hop, porque, naquela época, as palavras não eram tão importantes quanto o som. Com o passar do tempo, as pessoas queriam mais e mais rimas e partes cantadas no que o DJ tocava, então o MC foi ganhando mais importância na cena do hip hop.

Dançarina de break

As B-Girls (e os B-Boys) também têm importância vital para a cultura do hip hop pois, se existe música, existe dança e o break é a dança-símbolo desse movimento. Há quem diga que o breakdance veio antes do hip hop, tendo começado nos bailes de funk dos anos 1970, mas a verdade é que é impossível falar de um sem o outro, já que ambos andam lado a lado. O break pertence ao hip hop, mas também é praticado era praticado em baladas de funk e breakbeat pela comunidade afroamericana e latina da cidade de NY.


Equidade de gênero

Pra entender equidade, a gente não pode confundir com igualdade. A igualdade, num cenário de oportunidade, significaria dar a mesma oportunidade para todos, independente de ser o suficiente para um indivíduo alcançar um objetivo. Já na equidade, temos oportunidades para alcançar os objetivos, mas, em alguns casos, não são as mesmas, pois ninguém é igual (socialmente falando), de fato. Um ótimo exemplo seria a velha discussão de cotas em universidades. A igualdade seria o vestibular, em que todos têm a oportunidade de prestá-lo e, passando, entrar no curso desejado. Num cenário de equidade, existem as cotas, dando oportunidades para as pessoas menos favorecidas terem a mesma oportunidade de entrar na tão sonhada universidade pública.

A equidade de gênero, então, justifica as oportunidades que os gêneros diferentes do dominante merecem, para alcançar um mesmo objetivo. É uma looonga conversa. Aqui tem uma entrevista feita com a historiadora e pesquisadora Marisa Fernandes, sobre Gênero, Família e Sexualidade. A editora da Marie Claire, Adriana Ferreira Silva, também fala sobre o tema, nessa entrevista aqui. Ambas os vídeos foram gravados no evento "Nós, tantas outras", promovido pelo Sesc- SP.


Rhythm and blues

Datado lá da década de 1940, o Rhythm and Blues (ou R&B) é um termo criado pela revista Billboard para definir músicas e artistas afroamericanos que faziam um som parecido com o jazz, mas com uma batida mais pesada, manja? O gênero passou por algumas transformações durante as décadas seguintes, sendo associado ao gospel, blues e, mais pra frente, o soul, o hip hop e até o pop, estes pertencendo ao chamado R&B contemporâneo, mais especificamente na década de 90.

Dia da Mulher Negra e Afrocaribenha

Comemorado no dia 25 de julho, o dia da mulher negra latino-americana e afrocaribenha existe desde 1992. Foi criado durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, na República Dominicana e visa homenagear essas guerreiras. Por que guerreiras? Enfrentar o duplo preconceito, de gênero e raça, não é tarefa fácil. E a dificuldade só aumenta quando tudo isso é encarado em meio ao dia a dia do trabalho, família e de todos os ambientes, muitas vezes em condição de desigualdade, ainda sendo vítimas do racismo, do machismo, do sexismo, da misoginia e da intolerância religiosa. Merecem esse Dia para que sejam lembradas nas políticas públicas e ações da sociedade!


Afrobeat

O afrobeat nasceu na Nigéria e é a combinação de música yorubá, jazz, highlife, funk e ritmos, tudo isso com percussão africana e estilos vocais. Foi e continua sendo influência para músicos dos mais diversos gêneros, passando por Brian Eno até o nosso Gilberto Gil.


Fela Kuti

O pai do afrobeat. O nigeriano Fela Kuti foi um multi-instrumentista, músico, compositor, ativista político e dos direitos humanos. Sua influência passeia pela música e pelos campos do ativismo, sendo ícone e símbolo da luta nigeriana. Faleceu em 1997, mas o Carlos Moore (leia mais abaixo) nos presenteou com uma biografia autorizada de Fela!


Sandra Izsadore

Conhecida como a Rainha Mãe do Afrobeat, Sandra Izsadore é uma cantora e ativista política. Filiada aos Panteras Negras na década de 1970, o seu encontro com Fela Kuti, em Los Angeles no ano de 1969, originou o afrobeat. Ela também foi a principal responsável pela identidade racial e política de Fela, tendo sido sua mentora para questões além da música, também.

Malcolm X

Al Hajj Malik Al-Shabazz, mais conhecido como Malcolm X, foi um dos maiores defensores do Nacionalismo Negro. Visto como um ameaça pelos brancos e sendo assassinado em um dos crimes mais suspeitos da história, Malcolm defendia que os negros se armassem para a guerra contra os brancos, tendo cansado de ver seus iguais morrendo nas mãos dos agressores sem nunca revidar.

Se você não cuidar, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.” - Malcolm X

Black Panthers

Partido Pantera Negra para Auto-defesa, o Partido dos Panteras Negras foi uma organização criada nos EUA em 1966. Eram cidadãos armados que patrulhavam a cidade de Oakland para monitorar atividades dos policiais, que na época eram mais conhecidos pela sua brutalidade do que pelos serviços bem prestados para a comunidade.

Carlos Moore

Escritor, pesquisador e cientista social, é conhecido internacionalmente pela luta contra o racismo e pelo panafracanismo. Também é estudioso do afrobeat e de Fela Kuti, tendo escrito a biografia autorizada do ativista nigeriano chamada de "Fela - Esta Vida Puta". Saca só o currículo do cara: Doutor em Etnologia e Ciências Humanas pela Universidade de Paris, foi professor visitante na Universidade Internacional da Florida, passando também pela Universidade do Caribe e Universidade do Caribe Francês. Não é por menos que a Vanessa falou para pesquisarmos sobre Carlos Moore, né?


Newen Afrobeat

Newen significa "força" em mapuche, idioma do povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina. Newen Afrobeat é uma banda chilena que revisita a herança musical de Fela Kuti.

Felabration

Aquele evento que todo apaixonado por afrobeat sonha em ir. É um festival anual criado em 1988 por Yeni Kuti, filha de Fela Kuti, para homenagear o ritmo afrobeat por meio shows, debates e exposições de artistas nigerianos e do mundo todo.

Percussão

Percussão são instrumentos que obtemos som pelo impacto como bateria, bongôs, agogô e outros paranauês que a imaginação dos percussionistas permitir.

Funmilayo

Mãe de Fela Kuti, Funmilayo Ransome Kuti foi professora, militante, ativista dos direitos das mulheres. Também é marcada historicamente no país por ter sido a primeira mulher a dirigir um carro.


Gig

Gig significa, basicamente, apresentações de música. Antigamente era utilizado para diferenciar os shows ensaiados dos improvisados, mas hoje em dia é supercomum os músicos usarem "gig" para se referir a apresentações, como um todo.


Maracatu

Maracatu é um ritmo musical original de Pernambuco, estado brasileiro que todos deveriam conhecer. Com dois tipos (o Maracatu Nação e o Maracatu Rural), também é dança e um ritual de sincretismo religioso.

VAI

É um programa da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Chamado "Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais", tem o objetivo de estimular a criação, o acesso, a formação e a participação do pequeno produtor cultural, promovendo a inclusão e a criação artística. Saiba mais aqui.

Coletivo de arte

É uma das formas atuais de fazer cultura mais utilizada por criadores. O coletivo é um grupo de pessoas que se unem para a criação cultural. Se você curte, por exemplo, fotografia, pode criar um coletivo de fotógrafos para trocarem ideias, informações e procurarem oportunidades juntos.


Lei do Ventre Livre

Aqui é história do Brasil: A Lei do Ventre Livre também foi conhecida como Lei Rio Branco. Na época da escravidão, determinava que os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir da data que a lei foi promulgada (28 de setembro de 1871) fossem livres.


Lei do Sexagenário

É a lei que garantiu a liberdade dos escravos com mais de 60 anos. Surgiu após forte pressão da sociedade abolicionista liberada e foi aprovada em 28 de setembro de 1885.

Lei Áurea

É a mais conhecida das leis do processo de abolição da escravatura. Com autoria de Rodrigo Augusto da Silva e assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, concedeu liberdade total aos mais de 700 mil escravos ainda existentes no Brasil.

Yorubá

É um idioma da família linguística nígero-congolesa falado secularmente pelos yorubás em diversos países. Aqui no Brasil, o idioma yorubá foi oficializado como patrimônio imaterial do estado do Rio de Janeiro em 2018 e em Salvador, no ano de 2019.


Links mencionados no vídeo

Movimentar Produções (acesse para conhecer os artistas e projetos): https://movimentarproducoes.com

Instagram Movimentar Produções: https://www.instagram.com/movimentarproducoes

Instagram Vanessa Soares: https://www.instagram.com/vanessasoaresdance

Instagram Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop: https://www.instagram.com/fnmh2

Instagram AGÔ Performances Negras: https://www.instagram.com/ago.performancesnegras

Música Negração, da Funmilayo Afrobeat Orquestra: clique aqui


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